terça-feira, 6 de janeiro de 2009

doisdocinco

Ela permite o acho
e acelera de um jeito fácil.
Depois de um décimo de segundo que se estende,
sorrio de um jeito fácil,
tentando podar alguns galhos secos
e soltar na lareira.
Lembrar do calo.
E sempre antes,
tudo dói mais no frio.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Últimos dias

e foram mesmo!
Eu até tentei ligar pra Samsara mas o código de área não batia. É difícil querer falar algo pra alguém e a operadora simplesmente não achar o destinatário dizendo que não existe. É claro que existe! Ele mesmo me passou as coordenadas praticamente pedindo pra que ligasse uns meses adiante...
Esmirilhei muito mais durante uma semana do que durante vários meses, talvez seja pra isso que a gente viva: a exceção. Eu já expliquei umas dez mil vezes: a coluna estirada no chão, o vento batendo na grama e um beijo no olho. Será que é pedir demais?
Eu nem espero mais, eu caço e estrangulo o que estiver pelo caminho mesmo sabendo que vai atrasar a minha jornada até o bote final.
Existe uma regra que diz que tudo o que vem volta em triplo...
olho de peixe, olho maldito!

lição de hoje!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Questões da última semana:

Se tantas mudanças ocorreram na política a ponto da direita e a esquerda se tornarem indefenidas, se a direita passou a se organizar horizontalmente e a esquerda hierarquicamente, se a relação de violência aplicada e pacifismo ativista mudou, se a reação pode ser utilizada de forma revolucionária e a revolução como uma reação, e principalmente se todos estes conceitos foram deturpados pela elasticidade causada pela inconstância da educação no mundo todo, como ficam as definições e nomenclaturas atuais sendo que grande parte destas palavras tiveram seu sentido modificado simplesmente por quem possui mais força de colonização cultural, mas não de poder transformador no ensino?
A idéia de guerra pode ser mudada até que ponto? Ela deve ser definida por quem sofre seus horrores ou por quem causa o conflito?
Diferença entre crime, crime de guerra, terrorismo fundamentalista e terrorismo de estado. Novamente a lei internacional é ditada por quem vence, porém é aplicada por quem pode mais para quem pode menos.
Se as leis internacionais de Tribunais de Guerra não são válidas ou aceitam excessões, quanto tempo até a utitização da biotecnologia, nanotecnologia e a volta da química nos conflitos?

*publicado para forçar um rumo de texto*

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Só mais 2 semanas

Não vá morrer na praia!

Esfriou. Me pergunto que tipo de pessoa anda gritando sozinha na rua lá pelas 4 horas da manhã. E discursando: nada feliz mas também nada prevendo um destino agonizante. Será que vale a pena gritar algo sem função determinada, tirando a vontade de gritar? Eu ouvi, escutei mesmo, acho que funcionou.

E te respondo, viu.
A gente vai ver mesmo. Eu, você, todo mundo vai ver o que quiser e o que não quiser também. Eu vejo um caminhão de lixo lá na rua só prestando atenção no vhmmm da compactação de um monte de coisas jogadas fora, das coisas que dizem que não prestam. Já me disseram que eu não presto e nem por isso vou me convencer de que meu lugar neste momento é lá fora.

E olha que quase sempre dizem que o lugar dessa gente é dentro de alguma coisa, da cadeia, da PQP, do inferno, do hospital, da igreja. Se é assim mesmo, por que jogar fora o que não presta?
Não estoure bolhas nem mije mais, quarde tudo, nunca se sabe quando vai precisar do quê não presta.

E faz um favor, ta na hora de voltar pra casa, se guarda. Pois concluía agora que nem adianta gritar o óbvio mesmo. A gente vai ver.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

3 Semanas

Que mais parecem 3 meses. E o com o quê 3 meses se parecem? Eu só consigo pensar em uma luminária esférica de barro com um abajour de cone em cima. A luz era fraca e amarelada, onde ele foi parar?

Aquele abajour não durou só três meses, mas me gratificou com uma boa luz na minha infância, ele disputava o espaço com o movimento constante colorido e frio da televisão ligada por horas a fio durante a noite na sala escura e uma figura próxima e constante dormindo exausta no sofá. Esse sofá era coberto por um pano meio colorido que ficava até morno diante do ambiente cinza que servia de campo de batalha, mas eu só via de relance.

Passava descalço mesmo, desligava as luzes, passava o trinco na porta bem quieto, preparava tudo em silêncio pra não acordar quem eu despertaria um minuto depois, para que pudesse dormir em um lugar melhor. Pro dia seguinte começar terrivelmente amargo de novo e de novo, e pra noite ter um silêncio zumbido.

Esta é a minha distância de 3 meses, pra muitos alguns anos. Portanto as últimas 3 semanas se arrastaram. E até que tudo acabe, tenho mais 3 pela frente. Um cheiro de futuro cheio de perduro, agora em outro lugar, fechando a casa de noite e evitando ver ela despertar amarga de novo e de novo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eu gosto até de zumbis

e o maior problema além disso é que você não se enquadra nem na categoria, afinal luta luta luta e vai chegando e quebrando a casca do ovo e depois volta pra vida normal do dia a dia. E tenta e vai se esmirilhando mas quando menos percebe ja está escolhendo como vai agir quando acorda.
Nossa, eu não consigo imaginar como é viver escolhendo como se vai ser no dia. Acho que o mundo foi bem maldoso mesmo com esse tipo de gente, que escolhe "hoje vou foder com tudo" "hoje vou agradar quem merece". Falta um pouco de personalidade aí, então pq não suprir com outra coisa? Aquele maldito bonequinho da Turma da Mônica, você abaixa o boné e quando levanta a cara é outra. Mas aceitar e abaixar a cara junto com o boné é bem pior. Continuar na sua rotina, aceitando sem pensar o que mandam, o que ensinam, do que gostam, do que você deveria gostar, de como deveria ser, que cor vai melhor naquela parede: azul clarinho ou verde água, deixar o papel do cara da frente cair e não avisar com medo da resposta, entrar com a turba no metrô e não se preocupar com quem sai, ficar feliz com meia dúzia de canais a mais na TV, conseguir internet mais rápida, dobrar a barra bem dobradinha, deixar de passar a camiseta pq agora é legal, antes não era. Logo mais não vai ser de novo.Mais rápida. Pq eu não preciso ter a informação antes que os outros, mas eu quero na hora que eu quero e ponto final, pra quê eu não sei, eu não vou digerir nada eu vou engolir tudo em bloco.

De tudo isso eu não gosto. Mas dos zumbis eu gosto, pelo menos eles sabem que mesmo estando de pé, já morreram =)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O cara que procurou por uma coisa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

13:00

Não é a toa que os dias se tornam cada vez mais longos e os anos cada vez mais curtos, que o inverno tentou tomar o lugar da primavera mas o verão atravessou tudo por cima. Estamos pagando por tudo o que fizemos apoiando os que vieram antes de nós... Não é nenhuma questão religiosa ou política, é cultural mesmo.

Paramos de ouvir os loucos, encarceramos cada um que se fazia ser ouvido ou as empresas mais espertas passaram a pagar muito bem estes. De vez em quando surge um produto que qualquer outro consideraria insano, mas o rapaz que todos taxavam de tolo inventou no quintal de casa... infelizmente as idéias de vida dele não vão ser consideradas.

Na Idade Média os que não tinham a razão reta chegavam até a ser vistos como tocados por uma benção, dependendo do lugar, até iluminados por um anjo. Eu acredito em algo parecido se excluírmos assassinos em série e os aficcionados por pés, estes certamente não dariam uma visão de mundo muito promissora (pros outros).

Mas não vou me barrar simplesmente a isso, vou sentindo aos poucos que ao escutar o uivo da loucura me aproximo do primordial, talvez isso é o que dê medo e talvez isso seja o que faça a exclusão dos que o abraçaram extremamente necessária pra sociedade que existe atualmente continuar funcionando do jeito que funciona, com razão...
Então a mensagem não fica como uma conclusão, apenas um marco... se for pra mudar e pensar torto, melhor me entregar agora do que perder quando velho e gostar. Nunca se levem tão a sério.

sábado, 13 de setembro de 2008

Na pegada

De volta na pegada aqui estou eu, quer por uns três anos me esqueci de quem realmente eu era. Falando sério agora, a depressão é uma coisa tão peguenta e que corrói tanto que outro dia acordei me lembrando de um cheiro que eu não sabia bem do quê.

Juro. Acordei, fui para a cozinha dar comida para as gatas e lembrei de um cheiro. Tentei sentir, andei por uns 20 minutos pela casa toda e não senti. Mas me lembrava que era algo conhecido, extremamente próximo a ponto de ser confidente. Me sentei no computador, li, escrevi, tentando me lembrar do que era. E exatamente eu não me lembro até agora, só sei quando eu sentia e o que eu sentia.

Estava com meu joelho fodido e a perna com tala por 3 meses, acordava la pelas 10h da manhã em minha antiga casa, jogava com meus amigos e sentia isso. O chão de taco, sol batendo por uma janela fodida cheia de cupim. Sem rumo nenhum, havia a largado a faculdade por desgosto, perdido a namorada e com complicações o suficiente no trabalho pra não ter que voltar nunca mais. E sentia aquele cheiro.

Só que o pior já tinha passado, eu tinha muito o que planejar e executar. E o cheiro me acalmava. Talvez tudo aquilo fosse o sol batendo no chão com pedaços de madeira cheios de cera, talvez nunca tenha sido nada de especial, mas eu vou voltar pra lá e espero sentir isso novamente...

como senti hoje, no set de filmagem, trabalhando pra cacete esporadicamente, em outras horas conhecendo pessoas interessantes o suficiente para que possa escrever histórias. Cada uma com uma amargura e delicadeza de lascar, de ter me visto em papel ativo ou de vítima em cada uma delas, mas a cada lágrima que reclamam eu até me arrependo de arregaçar um canto de sorriso no rosto e pensar que entendo.